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Giulia Costa abre o jogo sobre saúde mental, carreira e a relação com os pais Flávia Alessandra e Marcos Paulo | HiperNotícias

A apresentadora e diretora Giulia Costa, de 26 anos, atravessa um processo de reavaliação pessoal e profissional. Em entrevista a Marie Claire, ela falou sobre o cuidado com a saúde mental, a redescoberta da autoestima e a importância do apoio familiar para buscar ajuda. Filha da atriz Flávia Alessandra e do diretor Marcos Paulo — morto em 2012, quando Giulia tinha 12 anos —, a artista também reflete sobre a culpa que já sentiu por ser filha de pais conhecidos e a forma como lida com a visibilidade.

“Estou muito melhor. Às vezes é difícil ver nossa melhora, por estarmos sempre dentro da gente. Por isso, é importante ter ao seu redor pessoas atentas a você, que querem seu bem e que te acompanham”, afirma.

Alerta da família

Giulia relata que o processo de buscar ajuda profissional começou após um alerta dos pais. “Sempre tive ao meu lado pessoas muito preocupadas, atentas a mim e mente aberta a ponto de oferecerem acompanhamento psiquiátrico. Minha mãe e meu padrasto me alertaram. Disseram: ‘Você não está bem e você não está nada bem há um tempo’.”

A artista já falou publicamente sobre questões como ansiedade, compulsão alimentar e dermatilomania — comportamento caracterizado por ferir a própria pele em momentos de crise. Ela destaca a importância de tratar esses temas com naturalidade. “Fico muito feliz quando naturalizo e ajudo a quebrar tabus de assuntos tão importantes, que devem ser tratados com propriedade e seriedade, mas também ser um papo de bar, da gente se sentir confortável de dividir com amigos, família e pessoas próximas.”

Herança paterna e memórias

A perda precoce do pai, o diretor Marcos Paulo, marcou a trajetória de Giulia. Ela descreve um “segundo luto” ao completar 18 anos, quando percebeu que não teria novas memórias com ele. “Todas as fotos que tenho com o meu pai, eu já decorei. Já sei quais são e que não vou ter mais nenhuma outra memória com ele. Tudo que eu tenho está aqui, pelo resto da minha vida.”

Para lidar com a saudade, a mãe guardou caixas com fotografias e objetos, que Giulia abre aos poucos. “Abri uma com 20 e poucos anos, e agora quero guardar a próxima para quando tiver uns 30. Sinto que assim estou criando novas memórias, vendo fotos nossas que eu não tinha ou até fotos só dele.”

Ela também aborda o alcoolismo do pai, tema que veio a ressignificar com a maturidade. Durante gravação de seu podcast com o músico Nando Reis, ouviu do cantor: “Não sinta culpa, essa história também é sua. Você faz parte dela.” A fala, segundo Giulia, teve impacto profundo. “Foi como se meu pai tivesse falado, de certa forma.”

Amor, maternidade e carreira

Sobre relacionamentos, Giulia afirma estar aberta a um novo amor, mas pondera sobre as dificuldades. “Adoraria namorar, mas está difícil encontrar um homem namorável. A disparidade de pensamento, ideias e vontade entre mulheres e homens da nossa geração está cada vez maior.”

Quanto à maternidade, diz ser um desejo futuro, mas sem pressa. “Me sinto muito nova, irresponsável e rebelde para ter uma responsabilidade tão grande quanto criar uma vida.” Ela também rebate cobranças sociais sobre o relógio biológico. “Hoje tem tantas tecnologias, que a gente já entendeu que não existe uma urgência tão grande quanto a que existia no passado.”

Na carreira, o objetivo é consolidar-se como diretora. “Meu maior sonho relacionado ao cinema é dirigir. Adoraria contar histórias que me tocam. Amo histórias de família, femininas, sobre mulheres, para mulheres e com mulheres.”

Relação com a mãe e fim das comparações

Giulia celebra a parceria com Flávia Alessandra, com quem apresenta o podcast “Pé no Sofá Pod”. Ela observa que as tentativas de rivalizá-las perderam força. “As pessoas tentam muito rivalizar mulheres, mas quando estreamos nosso podcast, viram que não iria funcionar, desistiram dessa ideia. Eu e minha mãe somos muito parceiras.”

Sobre o legado que deseja construir, a artista afirma se orgulhar de ter se tornado um “local seguro” para mulheres que acompanham suas falas sobre saúde mental e imagem corporal. “Quero muito encontrar um meio de transmitir isso sem tirar minha leveza. Sinto que somos tudo: alegria, tristeza, ansiedade, calmaria, estresse. Somos um mix — e que bom.”

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