Montagem HNT
O vereador por Cuiabá, Cezinha Nascimento (UB), e o empresário João Nery Chiroli.
O vereador por Cuiabá, Cezinha Nascimento (União Brasil), recebeu o empresário João Nery Chiroli, proprietário da Sem Limite Esporte e Eventos Ltda, em sua casa no Condomínio Florais Itália após João sacar R$ 350 mil em uma agência do Sicoob. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Finaneiras (Coaf), a transação bancária ocorreu em 23 de dezembro de 2025. Na ocasião, o empresário usou uma sacola escura para guardar o dinheiro e seguiu para o endereço do vereador em região conhecida pelos imóveis de luxo.
Semanas antes, em 5 de dezembro, Cezinha e o seu irmão, o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo), empenharam mais de R$ 2,8 milhões em emendas. O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) relaciona o pagamento das emendas ao saque, discriminado como “movimentações financeiras atípicas”, para explicar o suposto esquema de desvio de dinheiro público.
Segundo os autos, a Sem Limite Esporte e Eventos Ltda de Chiroli era a ‘laranja’ do esquema, recebendo o valor em emendas para a realização de eventos. Quando o valor chegava a conta da empresa, João comunicava Elizeu e Cezinha, marcando um encontro para entregar a porcentagem dos parlamentares em dinheiro vivo. O relatório da Coaf atesta que essas movimentações são comprovadas por “monitoramentos, análise de imagens e acompanhamentos presenciais” dos investigadores.
O teor do relatório motivou a Naco a deflagrar a Operação Emenda Oculta em 30 de abril. Os agentes do Núcleo cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas do deputado e vereador. O Tribunal de Justiça (TJMT) também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como a indisponibilidade de bens e o bloqueio de valores de Elizeu e Cezinha.
De acordo com a denúncia feita ao Naco, o deputado e o vereador repassavam recursos à empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que, posteriormente, devolvia parte valores aos titulares das emendas.
A Operação Emenda Oculta é um desdobramento da Operação Gorjeta em 27 de janeiro deste ano que afastou o vereador Chico 2000 (PL) da Câmara de Cuiabá após ele ser associado a suposto desvio para realização de corridas na capital. Os nomes de Elizeu e Cezinha teriam aparecido em celulares apreendidos na operação que investigou Chico.
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