O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve voltar a defender uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O Brasil abre o Debate Geral nesta terça-feira (22), quando líderes mundiais começam a discursar na sede da organização.
A ampliação do número de integrantes permanentes do Conselho é uma pauta defendida há anos pelo governo brasileiro. Entre as mudanças propostas por Lula está uma maior representação de regiões que atualmente não possuem assentos permanentes, como América Latina e África.
O Conselho de Segurança é o órgão da ONU com responsabilidade principal pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Atualmente, são 15 integrantes: dez ocupam vagas temporárias, com mandatos de dois anos, enquanto cinco têm assentos permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Os cinco também possuem poder de veto sobre decisões de mérito do colegiado.
Na avaliação defendida pelo governo brasileiro, essa estrutura já não representa o equilíbrio político e econômico atual do mundo. Lula também tem criticado o uso do poder de veto e argumentado que a configuração do Conselho dificulta respostas a conflitos internacionais.
Em discurso na Assembleia Geral de 2024, por exemplo, o presidente defendeu mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no direito de veto do órgão. Na ocasião, afirmou que a ausência de representantes permanentes da América Latina e da África precisava ser revista.
Brasil abre discursos na ONU
O discurso brasileiro também mantém uma tradição de mais de sete décadas. Desde 1955, o Brasil é o primeiro país a falar no Debate Geral da Assembleia, embora essa ordem não esteja estabelecida formalmente nas regras da organização. Depois do representante brasileiro, é a vez dos Estados Unidos, país anfitrião da sede da ONU.
A 81ª edição do Debate Geral ocorre entre 22 e 28 de setembro e reúne chefes de Estado, de governo e outros representantes dos países integrantes das Nações Unidas. O encontro deste ano ocorre em meio a conflitos internacionais e discussões sobre a capacidade dos organismos multilaterais de prevenir guerras e mediar crises.
A expectativa, segundo informações divulgadas neste domingo (20), é que a reforma do Conselho volte a aparecer entre os temas abordados por Lula em Nova York. A defesa brasileira é de que mudanças na estrutura tornariam o órgão mais representativo diante do cenário internacional atual.
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