11.outubro - 2026 - 12:45

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Grupo morto em confronto era suspeito de atentados na guerra por território em MS

O confronto policial que terminou na morte de quatro criminosos em Sidrolândia, na tarde dessa sexta-feira (9), expôs mais uma vez a disputa territorial entre facções criminosas em Mato Grosso do Sul. A intervenção ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão no âmbito da Operação Protetor, do Ministério da Justiça.

Armas apreendidas com os suspeitos (Foto: Batalhão de Choque)

Os detalhes da ação policial foram repassados neste sábado (10), pelo major Cleyton da Silva Santos, comandante do Batalhão de Choque.

Segundo o comandante, os suspeitos – identificados como Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, Jonas Gabriel de Sales e dois adolescentes, de 17 e 16 anos – eram monitorados há meses por envolvimento em atentados em diferentes cidades do estado.

“Eles chegavam à cidade de uma forma muito bem estruturada, chegavam na cidade, locavam uma casa naquela cidade, realizavam o atentado e ficavam nessa casa. […] Eles realizavam atentado naquele tipo de localidade, como foi em Maracaju, como foi em Sidrolândia, como foi em Campo Grande, como foi em Cassilândia. E iam migrando de uma cidade para outra. A gente veio monitorando eles durante um bom tempo. Só que essa questão da migração acabava dificultando a nossa atuação.”

Vanessa era a responsável por toda a logística e organização do grupo. De acordo com o comandante, para garantir as “bases operacionais” sem levantar suspeitas e transmitir maior credibilidade aos proprietários no momento do aluguel, a mulher e outro integrante do grupo simulavam ser um casal.

A casa onde a quadrilha se escondia em Sidrolândia, por exemplo, era de responsabilidade dela. Além disso, Vanessa organizava todo o cenário dos ataques, dava suporte logístico e cuidava da gestão dos armamentos.

Apesar da dificuldade em rastrear o grupo, as equipes policiais conseguiram chegar ao endereço alugado por eles em Sidrolândia. Todas as informações apuradas pela Polícia Civil foram repassadas aos policiais do Choque, que foram até o local na tarde dessa sexta-feira.

Ao chegarem ao endereço, os policiais foram recebidos por um indivíduo armado no quintal do imóvel. Mesmo após a voz de abordagem, o suspeito apontou a arma contra a equipe e foi baleado pelos agentes no portão. Na sequência, conforme a equipe entrava na residência, outros três suspeitos confrontaram os policiais sucessivamente na sala e em dois quartos.

Durante a ação, os suspeitos efetuaram diversos disparos contra os agentes, de acordo com o comandante, sendo que, pelo menos, sete tiros atingiram o escudo balístico utilizado pela equipe. Nenhum policial ficou ferido. Os quatro suspeitos foram socorridos ainda com vida e levados ao hospital local com auxílio da Força Tática e do Garras, mas não resistiram aos ferimentos.

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Tiros atingiram o escudo balístico utilizado pela equipe. (Foto: Batalhão de Choque)

Armamentos e perfil dos suspeitos

No local, as equipes apreenderam quatro armas de fogo: dois revólveres calibre .32, um calibre .38 e uma pistola. Uma motocicleta furtada, pintada e utilizada em atentados anteriores também foi recolhida.

As investigações e provas encontradas no local apontam que o suspeitos atuavam pelo Comando Vermelho.

Enquanto Vanessa era a responsável por organizar o grupo, os outros envolvidos eram executores. Jonas possuía histórico criminal por homicídio e aparecia em vídeos com arma em punho, enquanto fazia ameaças contra pessoas envolvidas com a facção rival.

Um dos adolescentes, identificado apenas como Miguel, ostentava armas em redes sociais e era investigado por homicídios em Cassilândia e em Campo Grande, além de ser acusado de ter causado um incêndio criminoso em uma residência onde uma família com sete crianças perdeu todos os seus pertences.

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Imagem postada pelo adolescente nas redes sociais e moto apreendida na casa (Foto; Choque)

A guerra por rotas e territórios

Conforme o comandante do Choque, os atentados cometidos pelo grupo estão diretamente associados à disputa de grupos criminosos pelo controle das rotas estratégicas do tráfico de drogas, armas e contrabando em Mato Grosso do Sul.

Devido à geografia do estado, o escoamento de cargas ilícitas em direção a Mato Grosso ou São Paulo exige a passagem por municípios-chave como Ponta Porã, Maracaju, Dourados, Sidrolândia, Coxim e Sonora.

“O nosso estado, geograficamente, é muito estratégico. Então, hoje os grupos criminosos têm tido essa guerra, essa disputa territorial para ter o domínio dessa rota. Hoje, com a criação da rota transplantaneira, acaba sendo ainda mais palpável para o crime que ele tenha controle sobre essa rota. E as cidades ali que a gente tem trabalhado para que isso não aconteça são Sidrolândia, Maracaju, Coxim; são cidades que são estratégicas para o crime.”

Confrontos decorrentes dessa mesma guerra territorial foram registrados recentemente em cidades como Ivinhema e na região de Coxim. Embora imagens com siglas de facções tenham circulado, a investigação sobre a vinculação formal dos suspeitos a organizações como o Comando Vermelho está a cargo da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

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