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Senado nega pedido para adiar julgamento e mantém análise de impeachment de Santiago Peña

O Senado do Paraguai rejeitou, nesta sexta-feira (6), por 39 votos contrários, o pedido do presidente Santiago Peña para ampliar em 72 horas o prazo de apresentação de sua defesa no processo de impeachment. Dois senadores se abstiveram. As informações são do jornal ABC Color.

Plenário do Senado do Paraguai | (Foto: Divulgação Senado)

Peña havia solicitado mais tempo para preparar sua manifestação, alegando que o período inferior a 12 horas concedido para a defesa era insuficiente para garantir o exercício adequado de seus direitos.

O presidente foi convocado pelo Senado para comparecer à sessão desta sexta-feira, às 10h, e apresentar sua defesa. Enquanto isso, o pedido de renúncia apresentado por ele ainda não foi analisado pelo Congresso, mantendo-o no cargo.

Impeachment do presidente avançou

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, na quinta-feira (5), a abertura do processo de impeachment contra Peña. A votação ocorreu depois que os parlamentares rejeitaram uma proposta semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana.

Na sequência, o Congresso convocou uma sessão bicameral para analisar a renúncia do presidente. No entanto, a reunião não avançou porque parlamentares do Partido Colorado impediram a formação de quórum.

Com o impasse, o Senado decidiu dar continuidade ao processo de impeachment de forma independente. Os senadores aprovaram a indicação dos procuradores responsáveis por apresentar a acusação durante o julgamento e convocaram Peña para apresentar sua defesa.

Crise no Ueno Bank motivou

A abertura do processo está relacionada à crise do Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça-feira (3). O banco possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos de órgãos públicos, incluindo valores da previdência social paraguaia.

A autoridade monetária identificou problemas de solvência e determinou o início do processo de resolução da instituição. A medida restringiu o acesso de clientes aos depósitos e provocou protestos no país. Também são investigadas suspeitas de operações financeiras irregulares envolvendo empresas ligadas ao grupo controlador do banco.

Peña é acusado de conflito de interesses por sua antiga participação no grupo empresarial relacionado ao Ueno Bank. O presidente afirma que vendeu sua participação em março de 2025 e nega qualquer irregularidade.

Os parlamentares também questionam a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para comandar o Banco Central paraguaio. Ele renunciou ao cargo após a intervenção na instituição financeira.

A acusação aprovada pela Câmara aponta que o governo permitiu a concentração de recursos do IPS (Instituto de Previdência Social) no Ueno Bank acima dos limites estabelecidos por lei. O documento também questiona alterações na legislação sobre conflitos de interesses e atribui a Peña mau desempenho no exercício de suas funções.

Vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana (à direita), ao lado do presidente Santiago Peña. (Foto: Pedro Henrique Gomes/g1)
Vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana (à direita), ao lado do presidente Santiago Peña. (Foto: Pedro Henrique Gomes/g1)

Renúncia pode mudar futuro político

Pela Constituição paraguaia, cabe à Câmara dos Deputados apresentar acusações em processos de impeachment, mediante aprovação de dois terços dos integrantes. O julgamento fica sob responsabilidade do Senado, que também precisa de dois terços dos votos para condenar e destituir o presidente.

O desfecho do processo pode afetar os direitos políticos de Peña após deixar a Presidência. O artigo 189 da Constituição estabelece que ex-presidentes eleitos democraticamente podem ocupar uma cadeira de senador vitalício, desde que não tenham sido condenados em processo de impeachment. Esses parlamentares podem participar dos debates, mas não têm direito a voto.

Se a renúncia for aceita antes de uma eventual condenação, Peña poderá assumir a condição de senador vitalício. Caso seja condenado no impeachment, perderá esse direito, o que também pode ter consequências sobre suas imunidades em eventuais processos judiciais.

Em caso de saída de Peña da Presidência, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país. Ele também pertence ao Partido Colorado e teve um pedido de impeachment rejeitado pela Câmara na quinta-feira (5), antes da aprovação da acusação contra o presidente.

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