Casal de idosos agredidos pelo policial civil aposentado Luciano Testa, de 56 anos, temem pela vida e avaliam mudar de cidade após agressões sofridas em elevador de condomínio no bairro Cidade Alta, em Cuiabá. O ataque ocorreu na noite dessa quinta-feira (11) e foi registrado como importunação sexual, injúria e lesão corporal.
Ao Primeira Página, uma das vítimas, o homem de 62 anos, narra que não retornaram mais ao apartamento depois do episódio. Ele conta que ele e a esposa temem pela vida, já que, segundo ele, não é a primeira vez que o suspeito se envolve em problemas com vizinhos do prédio.
“Minha esposa não quer mais voltar para o apartamento, porque teme pelas nossas vidas. Estamos em um local provisório, por ele ser da Polícia Civil, para que ele não faça nada contra nós”, desabafa.
O homem ainda cita que está com muita dor nas costelas e a boca machucada, por conta dos socos e chutes que levou durante as agressões no elevador do prédio.
Histórico de problemas no prédio
Segundo a vítima, o policial aposentado possui histórico problemático com outros moradores do prédio. Ele contou ainda que tudo começou quando o policial afirmou que a esposa dele teria sido assediada por outro vizinho que teria tocado o seio dela.
Contudo, ao verificar as imagens de câmeras de segurança, a administração constatou que o ato não ocorreu. Mesmo assim, o policial teria usado uma faca furado os pneus do carro do vizinho, que segundo ele teria importunado a mulher, arrombado o apartamento do mesmo e quebrado pertences.
Desde então, por precaução, moradores evitavam estar no elevador junto da mulher ou do marido policial. Ao perceber este comportamento dos moradores, o policial teria se sentido incomodado.
Antes da agressão nesta semana, em outra oportunidade, o policial e a vítima pegaram elevador juntos e foi então que as ameaças iniciaram.
“Nesse dia, ele chegou me agredindo verbalmente, com frases homofóbicas, de baixo calão, ele falou, que o outro morador era meu namoradinho, questionando por que eu não descia no elevador quando a mulher dele estava, que eu não era homem. Ele queria me levar a um estado aonde eu reagisse para ele poder vir para cima de mim”, explica.
Agressões no elevador
Já nesta quinta-feira (12), o casal de idosos chegava no condomínio, quando viram que o policial e o filho menor de idade estavam no estacionamento, e decidiram se adiantar para tomar o elevador antes que subissem juntos, para evitar contato.
“Na hora que entramos e a porta fechou estávamos eu, minha esposa e outro morador. Ele colocou a mão para abrir a porta a forçar e entrar junto com a gente. Ele entrou e já foi na minha frente, encostando no peito e me confrontando. Eu pedi: você pode afastar? Aí ele começou a berrar”, conta.
Em seguida, iniciaram as agressões físicas. Na tentativa de defender o marido, a esposa da vítima também sofreu agressões nos braços e nos seios.
Quando o elevador parou o casal correu para o apartamento do síndico para se abrigar. Posteriormente foram até a delegacia registrar a ocorrência. Desde então o policial não foi localizado e não se apresentou a delegacia.
Ainda segundo a vítima, o filho do policial, um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) presenciou as agressões do pai e ficou em estado de choque.
“Eu espero que a Corregedoria se pronuncie, que os superiores dele se pronunciem. Agora eu estou pensando em mudar de cidade… porque… infelizmente não nos sentimos mais seguros”, menciona.
Outro lado
O Primeira Página entrou em contato com a Polícia Civil, que informou por meio de nota que confirma o boletim de ocorrência em que o suspeito desferiu diversos socos na região das costelas e do rosto da vítima (masculino).
“A Polícia Civil informa que o suspeito é policial civil aposentado e não integra o quadro de servidores efetivos da instituição. O boletim de ocorrência foi enviado à Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa (DEDCPI), a qual instaurou procedimento para investigar o caso”, conclui.
O Primeira Página busca contato da defesa de Luciano Testa para manifestações sobre o caso.
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