Mato Grosso registrou a terceira maior taxa de injúria racial do Brasil em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Foram contabilizados 803 boletins de ocorrência no estado, o equivalente a 20,6 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.
O índice mato-grossense ficou atrás apenas do Distrito Federal, que liderou o ranking com 28,9 registros por 100 mil habitantes, e de Santa Catarina, com taxa de 27,1.
A taxa de Mato Grosso foi quase 84% superior à média brasileira, de 11,2 casos por 100 mil habitantes. A comparação considera as 25 unidades da Federação que forneceram dados sobre injúria racial ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Espírito Santo e Rio de Janeiro não apresentaram informações.
Em números absolutos, Mato Grosso passou de 605 registros em 2024 para 803 em 2025. Foram 198 casos a mais, crescimento de 32,7% no total de boletins de ocorrência.
Ao considerar a variação da taxa por 100 mil habitantes, o aumento foi de 30,8%. Esse foi o terceiro maior crescimento proporcional do país, atrás apenas do Amazonas, com alta de 46,7%, e do Acre, com 32,8%.
Na prática, Mato Grosso registrou uma média de pouco mais de dois casos de injúria racial por dia ao longo de 2025.
Mato Grosso supera estados mais populosos
Com taxa de 20,6 casos por 100 mil habitantes, Mato Grosso apareceu à frente de estados como Paraná, São Paulo, Piauí e Minas Gerais.
No Centro-Oeste, Mato Grosso ficou abaixo somente do Distrito Federal. Goiás apresentou taxa de nove registros por 100 mil habitantes, enquanto Mato Grosso do Sul teve índice de 6,1.
As maiores taxas do Brasil em 2025
Número de boletins de ocorrência para cada 100 mil habitantes nas unidades da Federação com os maiores índices.
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Distrito Federal 28,9
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Santa Catarina 27,1
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Mato Grosso 20,6
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Paraná 19,3
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São Paulo 17,1
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Piauí 12,4
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Sergipe 12,0
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Amapá 10,2
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Minas Gerais 9,8
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Acre 9,5
Taxa por 100 mil habitantes
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
Gráfico elaborado pelo Primeira Página
Em quantidade de boletins de ocorrência, Mato Grosso ficou na sétima posição entre as unidades da Federação com dados disponíveis. São Paulo liderou em números absolutos, com 7.868 registros, seguido por Paraná, com 2.294; Santa Catarina, com 2.216; Minas Gerais, com 2.096; Distrito Federal, com 867; e Bahia, com 850.
A comparação por número absoluto, porém, sofre influência direta do tamanho da população. Por isso, a taxa por 100 mil habitantes é o principal indicador utilizado para verificar em quais estados o problema foi proporcionalmente mais frequente.
Injúria racial representa 88,6% dos registros de racismo em MT
O Anuário também mostra que Mato Grosso registrou 906 casos classificados na categoria mais ampla de racismo em 2025. O número representa uma taxa de 23,3 ocorrências por 100 mil habitantes e uma alta de 19,7% em relação ao ano anterior.
Do total de registros de racismo no estado, 88,6% correspondem a casos de injúria racial. O percentual está bem acima da média nacional, de 69,7%.
Mato Grosso aparece ao lado de Minas Gerais e Paraná, também com 88,6%. Os maiores percentuais foram registrados no Pará, onde a injúria racial representou 95,6% dos casos de racismo, e no Distrito Federal, com 95,5%.
- Injúria racial: a ofensa é dirigida a uma pessoa específica, com palavras ou atitudes relacionadas à raça, cor, etnia ou procedência nacional, atingindo sua dignidade. Exemplo: alguém usar uma expressão racista para insultar determinada pessoa.
- Racismo: envolve discriminação ou preconceito que restringe direitos, impede acesso ou atinge um grupo racial. Exemplo: recusar a contratação de uma pessoa por ser negra ou impedir sua entrada em um estabelecimento por causa da cor da pele.
Desde a Lei nº 14.532/2023, a injúria racial passou a ser considerada uma modalidade de racismo e foi incorporada à Lei do Racismo. Portanto, ela não deixou de ter características próprias, mas juridicamente passou a integrar a categoria mais ampla dos crimes de racismo.
Brasil registrou mais de 21 mil casos
Em todo o país, foram registrados 21.443 casos de injúria racial em 2025, contra 19.551 no ano anterior. Isso representa 1.892 boletins de ocorrência a mais e uma média de aproximadamente 59 registros por dia. A taxa nacional subiu de 10,2 para 11,2 casos por 100 mil habitantes, crescimento de 9,2% entre 2024 e 2025.
Os registros classificados na categoria geral de racismo também aumentaram. O Brasil passou de 27.082 casos em 2024 para 30.743 em 2025. A taxa chegou a 15,7 ocorrências por 100 mil habitantes, alta de 13%.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números podem indicar tanto a permanência da violência racial no cotidiano quanto um avanço no reconhecimento e na denúncia dessas agressões. Mais vítimas podem estar procurando as autoridades e identificando a ofensa racial como uma violação de direitos, e não apenas como um desentendimento pessoal.
Diferenças entre estados exigem cautela

O próprio Anuário alerta que os estados ainda não seguem um padrão único para registrar injúria racial e racismo. Algumas unidades incluem os casos de injúria racial no total de ocorrências de racismo, enquanto outras mantêm as duas classificações separadas.
Essa falta de uniformidade afeta a comparação direta entre as unidades da Federação. Distrito Federal, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina, por exemplo, informaram que não contabilizam os registros de injúria racial dentro da categoria geral de racismo.
Além disso, apenas 25 unidades da Federação forneceram dados sobre injúria racial referentes a 2025. Em 2018, eram 21. Apesar do avanço na cobertura, o país ainda não possui informações completas nem critérios totalmente padronizados.
Os dados representam boletins de ocorrência registrados pelas autoridades estaduais. Portanto, não abrangem episódios que não foram denunciados e também não correspondem necessariamente a crimes já investigados, julgados ou confirmados pela Justiça.
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