O deputado estadual de São Paulo, Guilherme Cortez, protocolou uma representação no Ministério Público Eleitoral pedindo a apuração e eventual decretação de inelegibilidade do vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL) após ele chamar o vereador Daniel Monteiro de ‘baitola’ durante sessão da Câmara Municipal de Cuiabá.
No documento, Cortez afirma que a fala ocorreu no dia 19 de maio de 2026, durante votação em plenário, quando Ranalli teria esquecido o microfone aberto.
Segundo a representação, após um comentário de Daniel Monteiro, Ranalli respondeu: “Valeu, petista. Você não vai embora hoje? Vocês não votaram para ele ir embora. O que ele está fazendo aqui ainda? Vai embora, baitola”. Veja no vídeo abaixo:
A representação sustenta que a expressão usada pelo parlamentar possui “conteúdo pejorativo e discriminatório direcionado à população LGBTI+”, destacando que a manifestação ocorreu em ambiente institucional, durante sessão oficial do Legislativo municipal e com ampla repercussão pública.
O documento também cita decisões do Supremo Tribunal Federal que equipararam a homotransfobia ao crime de racismo e argumenta que a imunidade parlamentar não pode ser utilizada como “escudo protetivo” para discursos discriminatórios ou manifestações sem relação direta com a atividade legislativa.
Além da apuração dos fatos, o deputado pede que o Ministério Público Eleitoral analise eventual repercussão jurídico-eleitoral da conduta de Ranalli, especialmente em relação aos critérios de moralidade para o exercício do mandato eletivo previstos na Constituição Federal e na Lei Complementar nº 64/1990.
Entre os pedidos apresentados estão a abertura de procedimento para investigação, requisição das imagens e registros oficiais da sessão da Câmara de Cuiabá, além da adoção de providências que podem incluir pedido de inelegibilidade do vereador.
Em nota, Rafael Ranalli afirmou que a declaração ocorreu em “contexto informal de bastidores” e classificou o episódio como uma troca de provocações políticas entre parlamentares que mantêm convivência “cordial e respeitosa”.
Leia abaixo a nota na íntegra:
O vereador policial federal Rafael Ranalli(PL) esclarece que a situação registrada durante a sessão da Câmara Municipal de Cuiabá ocorreu em um contexto informal de bastidores e de brincadeira entre parlamentares que mantêm uma relação cordial e respeitosa dentro do Legislativo cuiabano.
Durante a sessão, houve uma troca de provocações entre os vereadores. Antes da resposta de Rafael Ranalli(PL), o vereador Daniel Monteiro(Republicanos) havia se referido ao colega como “Jean Wyllys da Câmara”, em tom descontraído e de provocação política no plenário.
A expressão utilizada posteriormente por Ranalli ocorreu nesse contexto de troca verbal entre parlamentares que possuem convivência harmoniosa e brincadeiras públicas recorrentes, fato conhecido inclusive pela própria imprensa que acompanha o dia a dia da Câmara Municipal de Cuiabá.
Nos bastidores da Câmara, Rafael Ranalli(PL) costuma se referir ao colega Daniel Monteiro(Republicanos) de forma descontraída como “meu canhota favorito”, evidenciando que, apesar das diferenças ideológicas, existe respeito pessoal e convivência democrática entre ambos.
O vereador reafirma seu respeito ao colega Daniel Monteiro(Republicanos), bem como a todas as pessoas, e lamenta interpretações que desconsiderem o contexto completo em que a fala ocorreu.
Sobre a tentativa do deputado estadual Guilherme Cortez(Psol), de São Paulo, de levar o episódio ao Tribunal Superior Eleitoral(TSE), Rafael Ranalli(PL) entende que a medida possui caráter meramente político e midiático.
O vereador destaca que sequer houve acionamento formal da defesa até o momento e avalia que a iniciativa não possui efeito jurídico prático, tratando-se de tentativa de exploração nacional de um episódio local ocorrido em meio a uma troca de provocações entre parlamentares.
Ranalli também afirma que, se o deputado paulista deseja atuar em defesa de pautas identitárias, deveria concentrar esforços concretos em seu próprio Estado, inclusive apoiando eventos e ações ligadas à comunidade LGBT, como a Parada LGBT de São Paulo, que tem sofrido com falta de patrocinador, em vez de tentar transformar uma brincadeira de plenário em espetáculo político nacional.
O policial federal também ressalta que possui atuação legislativa pública, transparente e coerente com as pautas que defende em Cuiabá. Entre elas, estão leis já sancionadas na capital envolvendo a proibição da participação de pessoas trans em competições esportivas femininas, da proibição e restrições a procedimentos hormonais e cirurgias de transição em menores de 18 anos, além de normas relacionadas ao uso de banheiros femininos.
Por fim, o vereador reafirma seu compromisso com o debate político democrático, com o respeito institucional dentro da Câmara Municipal de Cuiabá e com a defesa das pautas para as quais foi eleito pela população cuiabana.
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