29.julho - 2026 - 10:36

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Mais da metade das brasileiras já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa

Mais da metade das brasileiras que já tiveram um relacionamento com homens afirma ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiros ou ex-parceiros. Apesar da elevada incidência, apenas 11% dos homens que já se relacionaram com mulheres reconhecem ter cometido agressões, evidenciando a discrepância entre os relatos das vítimas e a percepção dos autores.

A pesquisa buscou compreender a percepção das mulheres brasileiras sobre a Lei Maria da Penha e os tipos de violência. – Foto: Agência Brasil

Os dados fazem parte da pesquisa 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira, divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva. O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, durante o mês de abril deste ano, para avaliar como a população percebe a violência doméstica e familiar duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha.

O estudo mostra que a violência psicológica é a forma de agressão mais frequente entre as mulheres que relataram episódios de violência, atingindo 42% das entrevistadas. Em seguida aparecem a violência física, mencionada por 25%.

Além da elevada incidência de casos, a pesquisa aponta que a sensação de impunidade continua sendo o principal obstáculo para que mulheres denunciem seus agressores. Esse fator foi citado por 56% das entrevistadas, enquanto 39% apontaram a lentidão da Justiça na condução dos processos relacionados à violência doméstica.

A percepção de que a violência ainda é naturalizada entre os homens também aparece no levantamento. Para 77% das mulheres, muitos homens não reconhecem determinadas atitudes como violência. Já 82% acreditam que eles costumam se omitir diante de agressões praticadas por outros homens.

População diz conhecer a lei

A pesquisa também avaliou o conhecimento da população sobre a legislação. Praticamente toda a população brasileira afirma conhecer ou já ter ouvido falar da Lei Maria da Penha, enquanto 49% das mulheres dizem conhecer bem a norma. Ainda assim, 82% das brasileiras entendem que a legislação, sozinha, não é suficiente para enfrentar de forma efetiva a violência doméstica.

Entre os avanços percebidos, sete em cada dez mulheres afirmam que a lei tem impacto real na proteção das vítimas, enquanto 54% dizem sentir-se mais protegidas por sua existência. Além disso, três em cada quatro entrevistadas afirmam que a legislação aumentou a conscientização sobre os riscos da violência.

O levantamento também mostra que 81% das mulheres acreditam que, antes da criação da Lei Maria da Penha, havia maior omissão diante da violência e menor acolhimento das vítimas. Para 64%, as punições aplicadas aos agressores eram mais brandas.

Embora a maioria das brasileiras conheça os mecanismos previstos na legislação para casos de violência física e as medidas protetivas de urgência, o conhecimento sobre outras formas de violência ainda é limitado. Apenas 46% sabem que a violência patrimonial também é prevista na lei e somente 38% conhecem as medidas de proteção patrimonial disponíveis às vítimas.

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