A Justiça de Mato Grosso tornou réu o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello por suspeita de planejar um atentado contra a promotora do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) Rebeca Santana Rêgo, que atua na acusação dele. A decisão dessa terça-feira (20) é do juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo. A defesa do médico 10 dias para apresentar defesa.
Bruno Felisberto é réu em outro processo devido à morte da namorada, Kethlyn Vitória de Souza, de 15 anos, morta com um tiro na cabeça em 3 de maio de 2025, em Guarantã do Norte (MT). A promotora foi designada para atuar como acusação no Tribunal do Júri em que ele será julgado pelo homicídio.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), durante o banho de sol na penitenciária onde está preso, o médico teria perguntado a outro detento se conhecia alguém disposto a realizar um atentado contra a promotora. Na conversa, Bruno teria afirmado que ela “iria foder com a vida dele”.
A testemunha contou ainda que o médico estaria disposto a pagar uma alta quantia pelo atentado e que usaria dinheiro de uma herança que espera receber.
Para o Ministério Público, as declarações indicam uma tentativa de intimidar a promotora e atrapalhar o trabalho dela no processo em que Bruno é acusado de matar a namorada de 15 anos.
“As declarações, diretamente relacionadas à atuação funcional da vítima, evidenciaram o propósito de intimidá-la e impedir ou dificultar o regular exercício de suas atribuições ministeriais”, diz trecho.

Ao analisar o caso, o juiz João Zibordi Lara destacou que a polícia não conseguiu confirmar a suposta ameaça com outros presos ouvidos durante a investigação. Mesmo assim, considerou que o depoimento da testemunha apresenta indícios suficientes para que a denúncia seja aceita e o médico responda ao processo.
O magistrado explicou que, nesta fase, não é necessário ter provas definitivas de que o crime aconteceu. Basta haver indícios que justifiquem a abertura da ação penal. A versão da testemunha e as demais informações serão analisadas ao longo do processo, quando a defesa também poderá apresentar seus argumentos e provas.
Diante disso, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público (MPMT) contra o médico por coação, que permanece preso.
Morte de namorada
O médico Bruno Felisberto, suspeito de matar a adolescente Kethlyn Vitória de Souza, de 15 anos, foi preso preventivamente no dia 5 de maio de 2025 ao ser apresentar à polícia em Guarantã do Norte (MT). Dois dias antes, ele levou a namorada ao hospital por volta de 1h da madrugada dizendo que a jovem havia sido baleada.
De acordo com os relatos colhidos pela polícia na unidade de saúde, o homem chegou visivelmente abalado, pedindo para que salvassem a vida de Kethlyn. Testemunhas disseram que ele aparentava estar em estado de choque. Médicos tentaram reanimar a vítima por cerca de 40 minutos, mas ela não resistiu.
Ao ser informado da morte, o médico teve um surto, tentando quebrar janelas e portas do hospital, conforme relatos.
Inicialmente, ele havia dito que Kethlyn teria apertado o gatilho durante brincadeira. Mais tarde, mudou a versão e assumiu a autoria do disparo.
Laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) classificou o tiro como voluntário, e não acidental. Segundo a perícia, o disparo ocorreu de forma regular, mediante o acionamento do gatilho pelo operador da arma.
Foi descartada a hipótese de falha mecânica ou defeito que pudesse ter provocado um disparo involuntário. “A classificação de tiro acidental é utilizada quando há produção do disparo sem o acionamento do gatilho, por falha na segurança do armamento ou anomalias em suas peças, o que não ocorreu neste caso”, informou a Politec.
A reprodução simulada do crime indicou que a trajetória do projétil, que atingiu a parte posterior da cabeça da adolescente, é compatível com marcas encontradas no interior do veículo e com o laudo de necropsia.
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