A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aceitou, nesta quinta-feira (23), o pedido público de desculpas feito pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), encerrando uma crise que havia se tornado pública no fim de junho e que expôs divergências dentro da família Bolsonaro e do Partido Liberal (PL).
A reconciliação ocorreu por meio de vídeos publicados nas redes sociais. Primeiro, Flávio reconheceu que “ninguém é perfeito”, pediu desculpas pelos “momentos que causaram desconforto” e convidou Michelle para caminhar ao seu lado na campanha presidencial.
“Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder, Jair Messias Bolsonaro. O momento exige humildade, coragem e espírito de união”, afirmou o senador.
Pouco depois, Michelle respondeu aceitando o pedido de desculpas e propondo uma conversa para consolidar a reaproximação.
“Recebi suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade. Todos nós cometemos erros. O seu gesto de vir a público pedir desculpas tem muito valor. Eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e, juntos, reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatar o nosso Brasil”, declarou.
A ex-primeira-dama também afirmou que o momento exige unidade em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agradeceu publicamente à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que atuaram como intermediadoras da aproximação.
Crise começou por disputa política no Ceará
O rompimento entre os dois ganhou repercussão nacional no dia 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos afirmando ter sido “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio durante uma conversa telefônica.
Segundo ela, o desentendimento ocorreu após divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle era contrária à aproximação do partido com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), enquanto integrantes da legenda defendiam a articulação política.
Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que o senador disse que ela deveria ficar fora das decisões partidárias porque “não entendia de política”. Após o episódio, declarou ter se afastado da campanha presidencial.
Flávio negou que tenha pretendido ofendê-la, mas voltou a pedir desculpas nesta quinta-feira, desta vez em vídeo, reconhecendo que desentendimentos públicos acabaram sendo explorados politicamente.
Reconciliação ocorre às vésperas da convenção
A reaproximação acontece dois dias antes da convenção nacional do PL, marcada para sábado (25), em São Paulo, quando Flávio Bolsonaro deverá ter a candidatura à Presidência oficializada.
O senador atravessa um momento delicado na pré-campanha. Além da crise familiar, enfrentou resistência de partidos aliados em torno da formação da chapa presidencial e repercussões negativas após declarações sobre o sistema eleitoral e questionamentos envolvendo notas fiscais emitidas por seu escritório de advocacia.
Nos bastidores, aliados avaliam que a participação de Michelle na campanha pode fortalecer a candidatura, especialmente junto ao eleitorado feminino e a lideranças evangélicas.
A senadora Damares Alves revelou que a reconciliação foi construída após dias de conversas reservadas conduzidas por ela e por Celina Leão. Segundo a parlamentar, Michelle chegou a cogitar abandonar a disputa eleitoral, cenário que motivou o esforço de pacificação.
Já reportagens de bastidores apontam que os pronunciamentos divulgados pelos dois foram preparados previamente como parte de uma estratégia para encerrar a crise antes da convenção nacional do partido.
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