Investigada na Operação Replay, Katani Bocardi, a esposa de um dos alvos da ação policial, foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande (MT). Ela desembarcava de uma viagem a Paris, na França.
Como estava em viagem internacional no momento do cumprimento das ordens judiciais, Katani passou a ser monitorada pela Polícia Federal ao chegar em São Paulo e o mandado de prisão preventiva foi cumprido assim que desembarcou em Mato Grosso.
Vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que ela é conduzida por policiais da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) para fora do terminal aéreo na sala de desembarque. A prisão contou com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Polícia Federal.
Segundo a Polícia Civil, ela é investigada no âmbito da Operação Replay, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao núcleo financeiro de uma facção criminosa. Ela é companheira de outro preso durante a Operação na quinta-feira (30), Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”.
Conforme a investigação, embora não possuísse renda formal compatível, Katani movimentava expressivos valores em diversas contas bancárias, sendo apontada como responsável por ocultar e dissimular recursos provenientes das atividades ilícitas da facção criminosa.
De acordo com o delegado Vitor Hugo Caetano, Emerson tinha papel estratégico na movimentação financeira investigada e é homem de confiança de Paulo Witer Paelo Farias, o “W.T.”, apontado pela polícia como tesoureiro da organização criminosa.
Além deles, a advogada Dayana Karol Moreira e os jogadores de futebol amador Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e Brunno Passos, o “Brunninho”, estão entre os alvos.

Preso na PCE comandava esquemas
Segundo a Polícia Civil, mesmo preso em setor de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), Paulo Witer Paelo Farias, o “W.T.”, continuava a exercer funções de comando financeiro e disciplinar.
A investigação identificou que um chip de celular atribuído à ele foi utilizado em 7 aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. A alternância dos terminais indica método de adaptação destinado a contornar controles penitenciários, permitindo as comunicações clandestinas.

As comunicações analisadas registraram cobranças de fechamentos, determinações de recolhimento, direcionamento de valores, correção de planilhas e orientação de operadores que atuavam em liberdade.
Os registros também continham referências a prestações de contas, movimentação de grandes quantidades de entorpecentes e distribuição de recursos entre diferentes núcleos.
Em uma das planilhas encontradas, havia referência a R$ 14.093.000,00 como valor total congelado e a R$ 1.231.000,00 como total relacionado ao período analisado. O montante de R$ 15.324.000,00 serviu de parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro.
Operação Replay
A Operação Replay foi deflagrada na quinta-feira (30) pela Polícia Civil para cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais e de quebra de sigilo, contra 14 integrantes e colaboradores de uma estrutura criminosa investigada por organização criminosa e lavagem de capitais.
A operação foi desencadeada nas cidades de Cuiabá (MT), Várzea Grande (MT), Balneário Camburiú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

A nova fase foi estruturada a partir da análise dados telemáticos. O material deu origem a relatórios técnicos que revelaram a continuidade da atuação da estrutura criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
A decisão judicial autorizou prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, afastamento de sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos e bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados.
Os imóveis e veículos alcançados pelas medidas foram estimados em aproximadamente R$ 17.287.600,00. Entre os bens estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, 3 terrenos e 4 veículos.

Separadamente, foi pleiteado bloqueio financeiro de até R$ 15.324.000,00, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação. Esses montantes não devem ser somados como se fossem recuperação efetiva, pois representam categorias distintas de constrição patrimonial.
Somente os imóveis foram estimados em cerca de R$ 16,68 milhões.
- A investigação relacionou um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões;
- Um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões;
- Uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, estimada em R$ 6 milhões;
- Uma residência de alto padrão em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão;
- Três terrenos avaliados, em conjunto, em aproximadamente R$ 180 mil.
Os veículos submetidos às medidas foram estimados em aproximadamente R$ 607,6 mil, incluindo automóveis e motocicleta registrados em nome de investigados ou terceiros ligados ao núcleo.
Operação Replay é um desdobramento de investigação que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.
Relembre operações anteriores:
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