26.outubro - 2026 - 11:08

Search
Close this search box.
  • Home
  • Política
  • Ossos encontrados em vala clandestina ajudam a identificar desaparecido da ditadura após 52 anos

Ossos encontrados em vala clandestina ajudam a identificar desaparecido da ditadura após 52 anos

Mais de 50 anos após seu desaparecimento durante a ditadura militar brasileira, o caminhoneiro paranaense Luci Alves Gomes teve sua identidade confirmada pelo Estado brasileiro por meio da análise de remanescentes ósseos encontrados na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, conhecido como “Cemitério de Perus”, em São Paulo.

A ditadura militar durou 21 anos. (Foto: Arquivo Nacional)

A identificação foi oficializada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e representa mais um avanço nas investigações sobre pessoas que desapareceram durante o regime militar entre 1964 e 1985.

A confirmação foi possível graças ao trabalho do Projeto Perus, iniciativa que reúne o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Prefeitura de São Paulo.

O projeto é responsável pela análise dos remanescentes ósseos encontrados no cemitério, um dos locais mais emblemáticos da busca pela verdade sobre as vítimas da repressão política no país.

Material encontrado ajudou na reconstrução dos fatos

Os remanescentes ósseos são ossos e fragmentos de esqueletos que permanecem preservados ao longo do tempo mesmo após a decomposição do corpo. Esses materiais podem ser analisados por especialistas para auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas e na reconstrução de fatos históricos.

Protestos após a morte de estudante durante a ditadura militar. (Foto: Arquivo Nacional)
Protestos apos morte de estudante durante a ditadura militar. (Foto: Arquivo Nacional)

No caso de Luci Alves Gomes, a investigação começou após suas filhas procurarem as autoridades ao assistirem reportagens sobre a identificação de outros desaparecidos políticos encontrados no mesmo local.

O Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) realizou entrevistas, pesquisas documentais e cruzamento de informações que levaram à hipótese de identificação.

A confirmação definitiva veio após um exame datiloscópico, que comparou as impressões digitais de uma pessoa enterrada sem identificação no cemitério com registros civis de Luci Alves Gomes arquivados na Secretaria de Segurança Pública do Paraná. O resultado positivo permitiu encerrar décadas de incerteza para a família.

Símbolo da ditadura

A vala clandestina do chamado “Cemitério de Perus” foi utilizada entre 1975 e 1976 para sepultamentos sem identificação e foi descoberta apenas em 1990. Desde então, tornou-se um dos principais símbolos das violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar.

O assassinato do estudante Edson Luís, em março de 1968, é reconstituído com bonecos durante protesto. (Foto: Arquivo Nacional)
O assassinato do estudante Edson Luís, em março de 1968, é reconstituído com bonecos durante protesto. (Foto: Arquivo Nacional)

Durante anos, os ossos encontrados passaram por diferentes instituições sem que houvesse um trabalho integrado de identificação.

Somente após ações judiciais e acordos firmados entre órgãos públicos foi possível estruturar um processo contínuo de investigação e análise dos materiais encontrados.

Em 2009, o Ministério Público Federal ingressou com uma ação para identificar possíveis desaparecidos políticos enterrados no local. Os acordos homologados pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região garantiram a continuidade do trabalho, que já possibilitou a identificação de sete vítimas da ditadura militar.

Busca por memória e justiça

A identificação de Luci Alves Gomes reforça a importância das investigações realizadas décadas após o fim da ditadura.

Além de oferecer respostas às famílias, o trabalho contribui para preservar a memória histórica do país e esclarecer violações de direitos humanos que permaneceram sem solução por muitos anos.

O ato contra a ditadura militar em 1977 na PUC do Rio. (Foto: Arquivo Nacional)
O ato contra a ditadura militar em 1977 na PUC do Rio. (Foto: Arquivo Nacional)

Enquanto a análise dos remanescentes ósseos continua, órgãos públicos, especialistas e representantes da sociedade civil também discutem a criação de um memorial permanente para abrigar os materiais encontrados e homenagear as vítimas.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Policial é assassinado a tiros em suposta briga por política em MT

O policial civil Emilson Ormond Souza, de 56 anos, morreu após ser baleado durante um…

Ossos encontrados em vala clandestina ajudam a identificar desaparecido da ditadura após 52 anos

Mais de 50 anos após seu desaparecimento durante a ditadura militar brasileira, o caminhoneiro paranaense…

Motociclista de 56 anos morre após colisão com carro em Cuiabá

O motociclista Alderlei da Silva Costa, de 56 anos, morreu após uma colisão com um…