Uma colisão entre um trem de carga e um carro, com duas vítimas presas às ferragens, um maquinista desmaiado e vazamento de combustível, mobilizou cerca de 70 pessoas em uma simulação de acidente ferroviário realizada no Complexo Intermodal de Rondonópolis (MT). O treinamento reproduziu diferentes situações de emergência e desafiou as equipes de resgate a controlar todos os cenários em apenas 28 minutos.
Durante um exercício prático realizado no Complexo Intermodal de Rondonópolis (MT), equipes de emergência simularam uma colisão de alta complexidade entre uma locomotiva e um carro de passeio.
O treinamento colocou à prova os protocolos do Plano de Atendimento a Emergência e exigiu a atuação conjunta de cerca de 70 pessoas, reunindo trabalhadores da operadora Rumo Logística, órgãos de segurança pública e empresas instaladas no entorno.
A complexidade da operação
Diferente de simulações com foco em apenas um tipo de ocorrência, a atividade combinou desdobramentos simultâneos que reproduzem o estresse e a urgência de um acidente real. A operação durou 28 minutos e envolveu desde a retirada de vítimas de ferragens até a contenção de danos ao meio ambiente.
Tiago Machado, coordenador de segurança da região de Rondonópolis, Itiquira e Alto Araguaia, detalhou a estrutura montada para o teste.
“A gente montou um cenário, como a ferrovia está crescendo no Mato Grosso e tem várias interferências de pedestres, carros e outros. Então a gente fez uma batida da locomotiva com o carro, já para mostrar esse cenário. Nós tivemos essa batida, duas vítimas dentro do carro. Essas vítimas ficaram presas na ferragem, por isso que a gente precisou de ajuda externa do bombeiro”, relata.
As complicações simuladas não pararam no resgate veicular. Logo em seguida, os socorristas precisaram administrar intercorrências com a tripulação do trem e riscos ambientais decorrentes do impacto.
“Além disso, posteriormente, nosso maquinista, após fazer o acionamento, simula que passa mal e desmaia dentro da locomotiva. Nós tivemos um cenário de derramamento de produto inflamável do tanque da locomotiva, por isso acionamos também a área de meio ambiente”, acrescenta o coordenador.
Integração entre setores para uma resposta rápida
Em situações de crise, a falta de entrosamento entre diferentes corporações pode gerar gargalos e atrasar procedimentos decisivos para salvar vidas. Por isso, a mobilização no complexo integrou a brigada interna, moradores da vizinhança, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar, Força Tática, Detran-MT, Defesa Civil e Ibama.
De acordo com Tiago Machado, o acionamento do Plano de Ação Mútuo foi o ponto-chave para multiplicar o volume de recursos disponíveis no local.
“Com todos esses cenários, dentro da unidade de Rondonópolis da Rumo, nós acionamos o PAM, que é o nosso plano de ação mútuo. Então, as demais empresas vieram nos ajudar nesse cenário. Trouxeram ambulância e todo o condomínio estava acionado a sua emergência, a sua brigada. Com isso, a gente tem mais recursos, mais pessoas. Consequentemente, isso organizado, a gente reduz o tempo da emergência”, explicou.

Ao término das manobras, as equipes conseguiram controlar todos os focos simulados. “Conseguimos tirar as três pessoas com sucesso, apagar o fogo e ainda controlar a parte ambiental”, avalia Machado.
Ao analisar o desempenho coletivo, Machado destacou a importância da integração entre órgãos públicos e empresas privadas para garantir uma resposta rápida às emergências.
“Para o trabalho em conjunto, eu daria nota 10, porque tivemos órgãos externos, internos e empresas privadas trabalhando em consenso. Na parte técnica, ainda vamos elaborar um relatório para discutir algumas questões. Uma equipe bem treinada consegue controlar a emergência, enquanto uma equipe desorientada pode perder o controle da situação. Tivemos vários cenários e conseguimos controlar todos”, concluiu Machado.
Paralelamente às rotinas de simulação e resposta a acidentes, a conscientização de motoristas e pedestres sobre a sinalização e o respeito às passagens em nível permanece sendo a principal linha de defesa para conter colisões e atropelamentos no trânsito urbano e rodoviário.
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