Vitoria Sara Bezerra Lupatini, que estava foragida e foi alvo da Operação Pátio Paralelo deflagrada na quarta-feira (26) em Sorriso (MT) se entregou na delegacia de polícia na tarde desta quinta-feira (27) acompanhada de advogado. A jovem é apontada pela Polícia Civil como vendedora da concessionária Toyota e suspeita de ser “peça central” em esquema que teria movimentado R$ 50 milhões em contas bancárias no período de um ano.
“Sarinha”, como era conhecida na cidade, era alvo de prisão preventiva e era procurada pela Polícia Civil suspeita de crimes de furto qualificado e associação criminosa. O Primeira Página busca contato da defesa da suspeita para um posicionamento sobre as investigações. Espaço segue aberto para manifestação.
Segundo o delegado Thiago Meira, responsável pelas investigações, informou que a polícia suspeitava que a jovem, que estava foragida, estava no escritório de seu advogado na cidade.
“Ela se entregou na delegacia com o advogado dela, tivemos informação que ela estava no escritório dele e já sabíamos onde ela estava. Ao sair íamos abordar o veiculo e o advogado disse que ia apresentar ela. Aqui foi efetuada a prisão dela”, disse.
Segundo o delegado, as investigações são complexas, no entanto, a polícia conseguiu juntar muitas informações.
“Como temos celulares agora vamos ter as quebras de sigilo bancário e acesso às informações. Tem mais pessoas a serem investigadas. A suspeita ainda não foi ouvida. O advogado adiantou que ela disse que vai ficar em silêncio. Fizemos interrogatório de outros suspeitos que negam autoria. Ela é considerada o ponto principal das fraudes, são crimes que poderiam ser evitados, muita gente foi ludibriada, mas as investigações continuam”, acrescentou.

A partir de agora a jovem deve ser ouvida formalmente pela autoridade policial. Posteriormente será encaminhada para audiência de custódia, onde estará a disposição do Poder Judiciário, que deicidirá se ela ficará presa preventivamente ou caso contrário, se será solta mediante cautelares.
Estrutura do esquema
Conforme a Polícia Civil, somente Vitória Sara teria movimentado R$ 8 milhões em sua conta bancária pessoal durante um ano. Ela é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber os veículos, indicar as contas para os pagamentos e movimentar os recursos.
O prejuízo causado às vítimas, até o momento é calculado em R$ 2 milhões, mas segundo as autoridades policiais, o valor pode aumentar a medida que mais vítimas buscam a delegacia de polícia para denunciar os golpes sofridos.
Até o momento, entre 15 e 20 possíveis vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que esse número poderá aumentar. Segundo o delegado Thiago Meira a suspeita é investigada também por outros possíveis crimes na cidade. “Ela vem cometendo delitos relacionados a furtos, delitos, entre outros”, disse.

‘Modus operandi’ do grupo investigado
Segundo a investigações, os clientes procuravam a concessionária para comprar veículos novos. Na negociação, entregavam o automóvel usado como parte do pagamento ou transferiam valores referentes à entrada.
No entanto, os carros usados não eram registrados nem contabilizados pela concessionária. Eles teriam sido desviados para outra garagem de Sorriso, também alvo das buscas realizadas nesta quarta-feira.

Os pagamentos, por sua vez, eram direcionados para contas pessoais de Vitória Sara ou de pessoas e empresas relacionadas ao grupo, em vez de serem depositados na conta da concessionária.
As vítimas percebiam o problema posteriormente, ao consultar o financiamento e constatar que o valor entregue como entrada não havia sido abatido da dívida.
Operação Pátio Paralelo
Além do mandado de prisão preventiva de Vitória Sara, mais de 20 ordens judiciais foram expedidas, e sete de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros.
Computadores, celulares, documentos, contratos, comprovantes de transferências e registros financeiros também estão entre os materiais que poderiam ser recolhidos durante a operação.
A próxima etapa da investigação será a análise dos aparelhos apreendidos e das movimentações bancárias. A Polícia Civil pretende identificar a destinação final dos veículos e dos valores, localizar novas vítimas e apurar se outras pessoas ou empresas participaram do esquema.
O nome Pátio Paralelo faz referência ao caminho dado aos carros entregues pelos clientes. Em vez de seguirem o fluxo regular da concessionária, os veículos teriam sido direcionados para um circuito paralelo de negociação.
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Vendedora de carros é procurada pela polícia por suspeita de furto e associação criminosa em esquema de R$ 50 milhões
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Carros dados como entrada em concessionária eram desviados em esquema de R$ 50 milhões em MT