A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que a administração municipal enfrenta dificuldades na execução de políticas públicas devido ao limite de 5% para remanejamento orçamentário imposto pela Câmara Municipal. Embora o Legislativo tenha aprovado recentemente o repasse de R$ 5,8 milhões para a área da Saúde, Moretti mantém uma disputa judicial para ampliar sua autonomia financeira e acusa o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), de “travar” a pauta de projetos do Executivo.
A gestora explicou que a prefeitura já utilizou mais de 2,5% do orçamento em remanejamentos internos e que a manutenção do teto atual impede a continuidade de diversos serviços. Para solucionar o impasse, o município ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), que no momento aguarda manifestação do Procurador-Geral de Justiça (PGJ) para seguir ao Tribunal de Justiça.
“O município está parado na execução de algumas políticas públicas, por conta dos 5% que ele me mandou. Mas, nós entramos com o Madin, que, inclusive, está com vistas ao Procurador Geral de Justiça, a PGJ, para manifestação, para devolver para o Tribunal de Justiça, aonde eu questiono a derrubada da emenda, onde ele me manteve com 5%. Porque eu já usei mais de 2,5%, usei em remanejamento interno, mas eu preciso de mais”, declarou Moretti em coletiva à imprensa nesta terça-feira (2).
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Flávia argumenta que a aprovação do projeto da Saúde por 18 votos demonstra que as propostas do governo têm apoio da maioria, dependendo exclusivamente da decisão da presidência da Câmara em pautá-las.
“O que está acontecendo é que o presidente da Câmara está me travando, porque, a partir do momento que ele paute, é aprovado o projeto, como hoje foi aprovado com 18 votos. Basta ele pautar. O presidente não aceita a inclusão e não aceita a pauta”, disse.
O clima de tensão entre os poderes foi evidenciado durante a sessão em que Wanderley Cerqueira cedeu à pressão e incluiu na ordem do dia o Projeto de Lei nº 125/2026. Os recursos aprovados serão destinados ao custeio de serviços e à compra de insumos para a rede pública municipal. No entanto, matérias consideradas cruciais pela prefeita, como a renegociação de dívidas de consumidores com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), ainda aguardam liberação para votação.
Questionada sobre as declarações de Wanderley, que atribuiu a aprovação do repasse à articulação do vereador Sardinha (UB), vice-líder do governo, em uma provocação ao vereador Bruno Rios (PL), Moretti adotou uma postura pragmática. A prefeita declarou que o importante é o resultado para o município e que acolhe qualquer articulação, venha de onde vier, desde que os projetos necessários para a população de Várzea Grande avancem.
“Eu espero que o presidente acolha as articulações do meu vice-líder, que o Sardinha é meu vice-líder lá na Câmara, acolha essas articulações, que para mim não importa de quem vem, importa o resultado. Se ele conseguir incluir, se o presidente entender que é necessário para a população dele, para a população do município de Várzea Grande, os projetos que estão lá e é necessário, eu agradeço muito. Seja por onde vier a articulação”, finalizou.
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